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Estresse & Ansiedade
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Transtorno Obsessivo Compulsivo*
24/04/2008 - 00h14m

As pesquisas modernas têm contribuído muito para o entendimento  e tratamentos do transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Até meados dos anos 80, o Transtorno Obsessivo Compulsivo era considerado um transtorno incomum, e de difícil tratamento, pois a resposta do paciente ao tratamento era quase que imperceptível.  Hoje graças aos avanços das pesquisas em todas as direções, quer sejam  nas áreas psicológica e psiquiátrica, quer sejam nas áreas farmacológicas e cirúrgicas, o Transtorno Obsessivo Compulsivo  passou a ser um transtorno mais comum e com melhores respostas ao tratamento.

Hoje entendemos uma obsessão como sendo um pensamento, sentimento, idéia, imagem ou sensação intrusiva, os quais não estão sob controle do portador.

Por compulsão entendemos  ser um comportamento consciente e recorrente como: contar, verificar, lavar as mãos entre outras tantas possibilidades.

A grosso modo pode-se dizer que:  as obsessões aumentam a ansiedade da pessoa, enquanto as compulsões a diminuem. No entanto se a pessoa resiste a realização de uma compulsão, a ansiedade aumenta.

O portador do Transtorno Obsessivo Compulsivo além de perceber  o caráter irracional das obsessões experimenta tanto as obsessões quanto as compulsões como egodistônico.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo pode ser um transtorno incapacitante, porque as obsessões podem consumir tempo da vida da pessoa, além  de interferirem significativamente na rotina normal do indivíduo, nas tarefas e ocupações, nas atividades sociais e relacionamento com amigos e familiares.  


Epidemiologia:  

Atualmente a prevalência do transtorno obsessivo-compulsivo na população geral está estimada entre 2% a 3% da população.

Alguns pesquisadores estimam que haja 10% de portadores do Transtorno Obsessivo Compulsivo em pacientes ambulatoriais em clínicas psiquiátricas.

Assim, as pesquisas tornam o Transtorno Obsessivo Compulsivo, a quarta doença mais comum, após as fobias, transtornos relacionados a substâncias e transtornos depressivos.

As pesquisas mostram que na idade adulta, ambos os sexos estão sujeitos a serem acometidos pelo Transtorno Obsessivo Compulsivo, porém na população adolescente os meninos são mais afetados que as meninas.

Geralmente a idade média de início do transtorno ocorre por volta dos 20 anos de idade. ( nos meninos por volta dos 19 anos e nas meninas por volta dos 22 anos.).

De forma geral, cerca de dois terço da população de portadores de Transtorno Obsessivo Compulsivo, iniciam os sintomas antes de atingirem  25 anos de idade e 15% da população tem início por volta dos 35 anos.

Pessoas solteiras estão mais sujeitas a serem portadoras do Transtorno Obsessivo Compulsivo do que pessoas casadas. Embora exista esse achado nas pesquisas, talvez, esse fato seja decorrente da dificuldade do portador do Transtorno Obsessivo Compulsivo  manter relacionamentos estáveis.

Também se observa uma maior incidência do Transtorno Obsessivo Compulsivo em pessoas brancas.  Embora as pesquisas apontem para esse dado, deve-se considerar também, que existe maior acesso à saúde pública nessa população o que talvez esse fato possa explicar essa variação, ao invés de sugerir diferenças raciais na população.

Existe uma incidência do Transtorno Obsessivo Compulsivo de cerca de 67% em pacientes com transtorno depressivo maior e de 25% em pacientes com fobia social. Outras comorbidades comuns em pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo entre eles se incluem: Transtorno por uso de álcool e drogas, fobias específicas, transtorno do pânico e transtorno alimentares. 


Etiologia 

Fatores Biológicos:

Muitos estudos realizados com inúmeras drogas apóiam a hipótese de que há um desajuste nos níveis de serotonina que seja responsável pela formação dos sintomas das obsessões e compulsões.

As pesquisas têm mostrado que as drogas serotoninérgicas são mais efetivas que outras drogas que atuam nos sistemas neurotransmissores. Entretanto as pesquisas ainda não mostram que o desajuste da serotonina seja a causa do Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Alguns pesquisadores afirmam que os sistemas colinérgicos e dopaminérgicos em pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo são duas áreas para estudos futuros.

Uma variedade de estudos de imagem funcionais do cérebro como: tomografias por emissão de pósitrons (TEP)  têm mostrado um aumento das atividades nos lobos frontais, gânglios basais e cíngulo de pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Esses estudos têm se mostrados consistentes com os dados dos estudos de imagens estruturais do cérebro. Os estudos de tomografia computadorizada (TC) e Ressonância magnética (IRM) mostram um aumento bilateral do tamanho do caudado em pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo.


Genética:

Dados genéticos extraídos das pesquisas sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo são consistentes com a hipótese de que há um componente genético significativo. Porém, os dados ainda não são consistentes quanto à influência dos efeitos culturais e comportamentais na transmissão do Transtorno Obsessivo Compulsivo.


Fatores Comportamentais:

Segundo alguns teóricos da aprendizagem, obsessões não passam de estímulos condicionados. Trata-se de uma associação de um estímulo neutrro (pensamentos, imagens e sensações como medo e ansiedade que provocam desconforto).

Já as compulsões são ações que reduzem os medos e ansiedades através de estratégias de esquiva.


Fatores Psicossociais:

- Fatores da personalidade:

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é diferente do transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva. A grande maioria dos pacientes com Transtorno Obsessivo Compulsivo não possui sintomas compulsivos pré-mórbido. Esses traços  não são suficientes para o desenvolvimento do Transtorno Obsessivo Compulsivo.

- Fatores Psicodinâmicos:

Segundo Freud, três mecanismos de defesa  psicológica determinam a forma e a qualidade dos sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo são eles:

1-     Isolamento: que se torna um mecanismo de defesa, por proteger a pessoa dos afetos e impulsos que geram ansiedade.

2-     Anulação: que se refere a um ato compulsivo que a pessoa executa na tentativa de impedir ou anular as conseqüências de um pensamento ou impulso obsessivo aterrorizante.

3-     Formação reativa: que são padrões comportamentais manifestados e atitudes conscientemente experimentadas que são opostas dos impulsos. Geralmente esses padrões parecem, ao observador, extremamente exagerados e muitas vezes inadequados.  


Diagnóstico:

O DSM-IV estabelece os seguintes critérios para o Transtorno Obsessivo Compulsivo:

Obsessões e compulsões:

            As obsessões são definidas como:

                        1- Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em algum momento durante a perturbação, são experimentados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou sofrimento.

                        2- Os pensamentos, impulsos ou imagens não são meras preocupações excessivas com problemas da vida real.

                        3- A pessoa tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos e imagens ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação.

                        4- A pessoa reconhece que os pensamentos, impulsos e imagens são produtos de sua própria mente. (não impulsos a partir de fora, como na inserção de pensamentos).

            As Compulsões são definidas como:

                        1- Comportamentos repetitivos (por ex. lavar as mãos, organizar, verificar) ou atos mentais (por ex. orar, contar ou repetir palavras em silencia) que a pessoa se sente compelida a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser rigidamente aplicadas.

                        2- Os comportamentos ou atos mentais  visam a prevenir ou reduzir o sofrimento ou evitar algum evento ou situação temida. Entretanto, esses comportamentos ou atos mentais não têm uma conexão realista como que visam a mentalizar ou evitar ou são claramente excessivos.

 B-  Em algum ponto durante o curso do transtorno, o indivíduo reconheceu que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais. (nota: Isso não se aplica á crianças).

C- As obsessões ou compulsões  causam acentuado sofrimento, consomem tempo (tomam mais de uma hora por dia) ou interferem significativamente na rotina, funcionamento ocupacional (ou acadêmico) atividades ou relacionamentos sociais habituais do indivíduo.

D-  Se um outro transtorno do eixo 1 esta presente, o conteúdo das obsessões ou compulsões  não está restrito a ele (por ex: preocupações com elementos na presença de um transtorno alimentar, puxar os cabelos na presença de tricotilomania;  preocupação com a aparência  na presença de um transtorno dismórfico corporal. Preocupação com drogas na presença de um transtorno por uso de substâncias; preocupação com ter uma doença grave na presença de hipocondria; preocupação com anseios ou fantasias sexuais na presença de uma parafilia; ruminação de culpa na presença de um transtorno depressivo maior).

E- A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ( por ex: droga de abuso, medicamentos ou de uma condição médica geral).  


Características clínicas

Pacientes portadores de TOC, não raramente partem em busca de consultas médicas além das consultas psiquiátricas. Entre as especialidades que mais de destacam  encontram-se: Ginecologia e obstetrícia, dermatologia, oncologia, neurologia, pediatria, cardiologia, odontologia e psicologia.

Tanto as obsessões quanto as compulsões possuem alguns aspectos  em comum:

1-     Uma idéia ou impulso invade a consciência do portador de maneira insistente e persistente.

2-     Um sentimento de medo e ansiedade se faz presente e geralmente leva o paciente a medidas contrárias à idéia ou impulso inicial.

3-     As obsessões e as compulsões são alheias ao ego, são tidas como algo estranho à própria imagem.

4-     Independente de como são vividas as obsessões e compulsões o paciente a reconhece o quão absurda e irracional são suas idéias, imagens e pensamentos.

5-     O paciente portador de obsessões e compulsões sente um desejo forte e procura resistir a eles. Em alguns casos, alguns pacientes tornam as obsessões e compulsões supervalorizadas. 

As obsessões e compulsões embora sejam heterogêneas na sua apresentação, possuem quatro padrões sintomáticos principais. São eles:

1-     Obsessões por contaminação, seguida de imagens ou comportamentos de esquiva compulsiva do objeto temido. (por ex: fezes, urina, poeira, germes, etc.)

2-     Obsessões de dúvida, seguida de compulsões de verificação.

3-     Pensamentos obsessivos intrusivos sem a presença de compulsões.

4-     Necessidade de simetria ou precisão podendo levar o paciente a uma compulsão de lentidão.  

Outros padrões de obsessões freqüentes são:

- Padrões somáticos de dúvidas patológicas, agressivos, sexuais e obsessões múltiplas.

Outros padrões de compulsões freqüentes são:

- Por contagem, necessidade de perguntar ou confessar, simetria e precisão, armazenamento e múltiplas comparações. 

Os principais sintomas apresentados são:


Nas obsessões:

- Preocupação ou repulsa por detritos ou secreções corporais. ( urina, fezes, saliva), sujeira, germes, toxinas ambientais, etc.

- Medo de que algo terrível possa acontecer (incêndio, morte ou doença de si, de um familiar ou amigo).

- Preocupação ou necessidade excessiva de simetria, ordem e exatidão.

- Obsessões por escrúpulos excessivos. (preces ou envolvimento religioso).

- Obsessão por números de sorte ou azar.

- Pensamentos, imagens ou impulsos proibidos ou perversos.

- Sons, palavras ou música intrusiva e sem sentido. 


Nas compulsões

- Excesso ou ritualização de lavagens de mãos, banhos, pentear o cabelo, escovar os dentes, limpar objetos e locais.

- Rituais repetitivos como entrar e sair de aposentos, levantar e sentar, bater um x número de vezes em algo e etc.

- Verificação de portas, janelas, fechaduras, aparelhos elétricos (TV, rádio e etc) freios de automóvel, gás e etc.

- Limpeza e outros rituais para evitar contaminações.

- Toques.

- Ordenar e organizar

- Medidas para evitarem perigo para si ou para outros (ex: colocar um objeto de determinada maneira).

- Contagem.

- Armazenar e colecionar.

- Rituais diversos como cuspir, lamber, vestir-se de determinada maneira. 


Exames de estado mental

Durante exames de estado mental observa-se que 50% dos pacientes portadores de Transtorno Obsessivo Compulsivo apresentam sintomas depressivos.

Tratamento

Embora exista uma resistência em relação ao tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo, as terapias farmacológicas e psicológicas têm se mostrado eficiente no curso do tratamento.

Por ser o Transtorno Obsessivo Compulsivo um transtorno altamente determinado por fatores biológicos, a farmacoterapia tem se mostrado eficaz.

Os dados disponíveis indicam que as drogas utilizadas para o tratamento dos transtornos depressivos e outros transtornos mentais podem ser utilizados em dosagens habituais.

Os efeitos iniciais poderão ser observados após 4 ou 6 semanas de tratamento.

A Terapia Cognitiva Comportamental tem demonstrado ser tão efetiva quanto a farmacoterapia no tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo, além de serem mais duradouras.

Os enfoques principais da TCC para o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo  são:

  • Exposição e a prevenção das respostas;
  • A dessensibilização;
  • Interrupção dos pensamentos;
  • Imersão;
  • Terapia de implosão e
  • Condicionamento clássico.  

A terapia de apoio tem marcado seu lugar no ranking dos espaços especiais para portadores do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Essa modalidade tem se mostrado eficaz no encorajamento e enfrentamento de pensamentos e comportamentos pró-ativos como forma de redução de medos e ansiedades. Também é um espaço onde os pacientes com vários níveis de dificuldade possam compartilhar suas experiências e se manterem unidos no combate  de pensamentos obsessivos. Também é um espaço onde o paciente mantém contato contínuo e regular com profissionais  solidários, encorajadores e atualizados no conhecimento do Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Não é incomum o familiar dos portadores do Transtorno Obsessivo Compulsivo  serem levados ao estresse intenso em função dos comportamentos do paciente.

As terapias de apoio auxiliam também os familiares no sentido de fazê-los compreender melhor a problemática do paciente, além de receberem e compartilharem  informações entre si.

O apoio familiar deve incluir além da atenção da família através de apoio emocional,  reasseguramento, orientação e aconselhamento a cerca de como lidar e atender ao paciente portador do Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Outras terapias

Para pacientes refratários aos tratamentos terapêuticos, a terapia eletroconvulsiva e a psicocirurgia devem ser consideradas.

A cingulotomia é o nome dado ao procedimento psicocirúrgico realizado em portadores do Transtorno Obsessivo Compulsivo.  Esse procedimento vem trazendo bons resultados a aqueles pacientes que não responderam adequadamente a outros tratamentos e vem sendo estudado e aprimorado desde o início da aplicação.

Por: Marcos Antonio Lopez Renna
       Psicólogo e Terapeuta sexual 
       CRP 21.740-06

Contatos: E-mail:  mrenna@psicnet.psc.br
               Website: www.psicnet.psc.br 




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