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Estudo traça um perfil das mulheres brasileiras que apresentam ondas de calor
23/05/2005 - 15h58m

Freqüentemente citadas por mulheres na menopausa, as ondas de calor, segundo artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia de novembro/dezembro de 2004, podem ser definidas como “períodos transitórios de intenso calor na parte superior do corpo, braços e face, sendo freqüentemente acompanhadas de enrubecimento da pele e sudorese profusa (abundante)”. Segundo a autora e pesquisadora Danielle Santos-Sá e sua equipe, as ondas de calor podem provocar ainda calafrios, palpitações e até mesmo sensação de ansiedade.

Como muito pouco se sabe até o presente momento sobre os fatores que levam mulheres de diferentes regiões do mundo a sofrerem com os mesmos sintomas, foi realizado pelo Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas o primeiro estudo de base populacional sobre este tema. Para tal, 456 mulheres com idades entre 45 e 60 anos foram entrevistadas (das quais 20% faziam uso de terapia hormonal).

Variáveis como idade, estrato social, número de abortos, hábito de fumar e uso de método anticoncepcional hormonal e não hormonal foram levados em consideração. A partir desses dados foi possível constatar que, dentre as mulheres que mencionaram apresentar ondas de calor, 54% eram brancas, 70% afirmaram ser casadas ou viver com parceiros, 63% não fizeram menção a emprego remunerado e 80% pertenciam as classes C, D ou E. Em relação a reprodução, 94,3% caracterizaram-se como multíparas (um ou mais partos de acordo com a pesquisa). Métodos contraceptivos não hormonais foram utilizados por 57,2% das entrevistadas que afirmaram ter as ondas de calor enquanto 63,2% fizeram uso de métodos a base de hormônios. Outros 22% afirmaram ser tabagistas, sendo que dessas 53,3% fumavam de um a 10 cigarros por dia, com uma média de tempo de tabagismo calculada em 20 meses.

De acordo com os autores, “vários estudos sugerem que pode haver diferenças culturais e biológicas que influenciam a forma como as mulheres vivenciam e referem às ondas de calor”, mas ainda existem muitas dúvidas sobre quais fatores poderiam determinar a presença ou não das ondas. Eles lembram que em pesquisas anteriores realizadas no mundo todo sobre o estado menopausal as “mulheres caucasianas foram as que mais referiram sintomas psicossomáticos, ao passo que o grupo afro-americano foi o que mais relatou sintomas vasomotores, principalmente ondas de calor”. No caso específico das ondas de calor alguns dados mostram que a prevalência nos Estados Unidos varia entre 68 e 82%, na Suécia fica em torno de 60% e na Austrália é de aproximadamente 62%. Já no estudo realizados em Campinas os pesquisadores puderam verificar que essa prevalência é de 70,3%.

As ondas de calor podem, segundo o artigo, “ter impacto negativo na qualidade de vida, por causar alterações no sono, que resultam em fadiga, irritabilidade, esquecimento, desconforto físico e efeitos negativos sobre o trabalho”, além de estarem associadas a doenças como Alzheimer, osteoporose e também depressão. Apesar de considerarem ainda muito incipientes os estudos nessa área, os autores defendem a realização de mais pesquisas: “outros estudos são necessários, principalmente avaliando os fatores predisponentes e a intensidade das ondas de calor e dos sintomas vasomotores em geral”, concluem.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)




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