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Temas sobre Saúde - Geral
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Estado de coma, o mistério da morte em vida
15/12/2004 - 01h18m

Os especialistas sabem que no estado de coma as transmissões nervosas necessárias para o armazenamento e a manifestação das mensagens cerebrais falham. No entanto, não há dois comas iguais, ainda que todos se caracterizem pela ausência ou pela falta de resposta a estímulos. Às vezes, o cérebro do comatoso entra numa espécie de "câmara escura" e nada mais pode se saber sobre ele.

Entre o sono e a vigília


Segundo a neurologista Rosa Astarloa, o coma "evolui para a morte ou para um estado vegetativo, no
qual a pessoa recupera o ciclo sono-vigília, respira e abre os olhos, embora não fique consciente, devido a uma grande lesão cerebral". A morte cerebral acontece quando o eletroencefalograma do paciente apresenta um traço isoeléctrico, ou seja, quando sua atividade elétrica cerebral é refletida por uma linha reta, o que é chamado de eletroencefalograma plano.

Entre as principais causas do estado de coma, que pode diferenciar-se entre o superficial e o profundo, segundo o diferente nível de deterioração da consciência, estão as encefalites infecciosas, os traumatismos cranianos, a patologia vascular extensa e algumas doenças graves.

A hiper e a hipoglicemia, caracterizadas, respectivamente, por um excesso e por uma carência severa de açúcar ou glicose na corrente sangüínea, assim como a meningite grave, uma intoxicação alcoólica, uma doença hepática, uma complicação decorrente do hipotireodismo e uma falha erro anestésico, podem deixar uma pessoa em coma.

Quando este estado é provocado por um traumatismo crano-encefálico, o que é mais freqüente, a escala do coma de Glasgow, um sistema de medição que pontua a reação dos olhos do paciente e suas respostas verbais e motoras, permite a obtenção de uma indicação aproximada da gravidade da lesão cerebral e da probabilidade de a pessoa se recuperar.


Quando a consciência se cala


Segundo os especialistas, a consciência se cala ou porque os neurotransmissores estão alterados ou porque existe uma lesão nas células do cérebro. Mas, fora estes fatos, ainda há mais dúvidas do que certezas sobre o tratamento do coma e sobre o que acontece no cérebro de uma pessoa que vive neste estado.

"Se uma criança com transtornos renais entra em coma, pensamos que seu nível de uréia subiu, o que interfere na ação dos neurotransmissores. Então fazemos o tratamento e, em pouco tempo, o quadro se reverte. O mesmo ocorre com a glicose no caso de um diabético", destaca o doutor Juan Casado, especialista em Cuidados Intensivos do hospital pediátrico Menino Jesus, em Madri.

Mas se a causa do coma é um traumatismo crano-encefálico ou uma parada cardíaca, já não é tão simples deduzir o que ocorre e atuar de forma rápida, porque, segundo Casado, a vida do paciente depende de alguns minutos e é muito difícil obter a informação do interior do cérebro, que é chave para o diagnóstico do dano neuronial, seu tratamento e prognóstico.

Quando uma pessoa entra em coma, quase sempre não há nada que os médicos possam fazer, a não ser esperar que o paciente saia deste estado, embora não se tenha muita certeza de quando isso possa acontecer. A medicina, que ignora o que ocorre durante o coma com esse grande desconhecido que é o cérebro, tenta revelar o mistério da consciência emudecida.

"O coma implica ausência de vigília e de consciência, ou seja, da capacidade de se relacionar com você mesmo e com o mundo à sua volta", explica a médica Rosa Astarloa, do Serviço de Neurologia da Fundação Jiménez Díaz, de Madri, na Espanha.

FONTE – EFE




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